segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O mundo precisa de Espiritualidade!


Vi uma entrevista muito interessante, publicada numa revista brasileira, do cantor Bono Vox do grupo U2 e do seu guitarrista “Edge”, se posicionando como grupo a beira da “insignificância” cultural. Ao ser questionado pelo entrevistador sobre a importância do grupo U2 no panorama internacional, Bono Vox respondeu que não saberia se no futuro próximo teria lugar para bandas assim comprometidas com o social e a questão ambiental e citou algo que me encontra plenamente de acordo com ele: “O problema do mundo não é econômico, mas espiritual. Precisa lutar contra o egoísmo e a ambição que estão destruindo os EUA e a Europa”.

Concordei com essa frase do Bono e foi me perguntando o que seria para ele o sentido da palavra “espiritual”. A sua resposta me fez pensar sobre o problema espiritual do mundo e pensei importante comentar sobre isso.

O mundo precisa de mais espiritualidade. Muitas empresas internacionais já trabalham com isso. Muitos executivos procuram cursos de espiritualidade. O sucesso do livro “O Monge e o executivo” de James C. Hunter, com subtítulo, “Uma história sobre a essência da liderança”, sugere esta necessidade de espiritualidade nas relações de liderança. Na contra capa se lê : “È impossível ler este livro sem sair transformado. O monge e o executivo è, sobretudo, uma lição sobre como se tornar uma pessoa melhor”. Este trabalho de melhorar a si mesmo, tem muito a ver com espiritualidade.

Quando perguntaram ao Dalai Lama qual seria a melhor religião na visão dele, ele respondeu : “A melhor religião é aquela que te faz melhor como pessoa”

Portanto espiritualidade tem a ver com esse esforço incansável, essa busca constante e decidida de encontrar o melhor de nós e agir de conseqüência. Enganam-se as pessoas que pensam que a espiritualidade possa ser funcional ao mercado e a melhores resultados econômicos. A espiritualidade não é um método de trabalho. A busca da espiritualidade é um jeito de ser. A esse respeito, veja as lúcidas palavras do Leonardo Boff: “A espiritualidade vive da gratuidade e da disponibilidade, vive da capacidade de enternecimento e de compaixão, vive da honradez em face da realidade e da escuta da mensagem que vem permanentemente desta realidade. Quebra a relação de posse das coisas para estabelecer uma relação de comunhão com as coisas. Mais do que usar, contempla.”

Realmente este mundo e seus habitantes faltam de espiritualidade. Como dizia Bono Vox,  a ambição e o egoísmo são o contrário da espiritualidade e levam o ser humano a ser da pior forma possível. O desejo desenfreado de posse e de poder desenvolvem no ser humano atitudes altamente nocivas ao bem comum: se destrói o meio ambiente, se geram todos os tipo de violência, de desigualdade, de corrupção.

Ao contrário a busca da espiritualidade nos da uma visão da terra como a da casa de todos e não de poucos. Nos coloca numa atitude de comunhão com as pessoas e as coisas e nos ajuda a fugir do desejo de posse.

Nesta busca sincera e constante o ser humano se encontra consigo mesmo e com Deus. Quando atingimos o mais íntimos de nós, descobrimos Deus, descobrimos seu plano de amor. Quando atingimos bons níveis de gratuidade e disponibilidade nos sentimos abraçados por Deus e “instrumentos” de um plano de amor que supera nosso cálculos mesquinhos e egoístas.

A busca da espiritualidade nos leva a sentir cada vez mais o desejo de Deus , da sua presença na nossa vida e no destino da humanidade como um todo. Torna-nos pessoas religiosas, isto é re-ligadas com Deus, com o mundo e o nosso próprio ser.

Ao contrario da espiritualidade, o materialismo, vive da posse e do uso instrumental de tudo e de todos. Apaga o desejo de Deus, e com isso o desejo do bem comum e de ser pessoas melhores e autenticas; apaga também as perguntas sobre o sentido do mundo e da vida e nos faz sentir sem nenhuma integração com o resto da humanidade.




PADRE GRAZIANO CIRINA  - É fundador da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Poços de Caldas, Minas Gerais, onde atua até esta data. De 1996 ao ano de 2000, Padre Cirina foi coordenador pastoral do setor da mesma cidade.

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